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“Nefelibata”, segundo o dicionário, “pessoa que anda ou vive nas nuvens” – sim, este é um post sobre música. É que mesmo após ouvir inúmeras vezesporenquanto, disco de estreia do Crombie, ainda não encontrei uma palavra que possa definir a experiência sensorial de ouvi-los cantar e tocar com tamanha simplicidade complexa: praiano, intimista, arrebatador, MPBista, neo-bossa-novista…

Com apenas dois anos de estrada, o Crombie possui maturidade autoral e musical invejável. O grupo carioca foi finalista do festival de bandas “B de Banda” promovido pelo Jornal do Brasil – e vencedor no júri popular.

Formado por Felipe Vellozo (baixo e vocais), Filipe Costa (violão e guitarra), Gabriel Luz (violão e vocais), Lucas Magno (percussões) e Paulo Nazareth (vocal e violão), o Crombie dá nova vida ao previsível cenário cristão brasileiro.

Nos primeiros segundos de audição, porenquanto pode parecer um disco de reggae, feito com violões e percussão, mas aos poucos a banda mostra seu diferencial. Cada canção é feita para surpreender, misturando acordes de Bossa Nova e MPB às guitarras levemente distorcidas, muito semelhantes às do Los Hermanos.

Cristãos da Igreja Betânia em Niterói, os meninos se utilizam da poesia singularmente para expressar o amor de Deus. Quase tudo é temporal, temporal porque está sujeito a um sujeito chamado Tempo, que é mais que momento, que não se confessa, pois não sente culpa de nada, são os primeiros versos de Sobre o Tempo, quarta faixa do disco, que já soa bem rock.

Em entrevista exclusiva ao alforria, o grupo contou um pouco mais de suas influências, sua história e disponibilizou em primeira mão – legalmente – seis músicas do álbum. Para comprá-lo, entre em contato por meio do oscrombie@gmail.com ou clique para fazer o DOWNLOAD DO DISCO (autorizado pela banda).

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alforria: Qual o significado do nome da banda?

Crombie: Bom, o nome da banda era um apelido que demos ao dono do estúdio no qual gravamos o CD. O chamávamos de Heber Crombie, por causa de uma blusa que vimos na rua. Como essa historia é bem ruim, preferimos nem explicar desse jeito. Na verdade, Crombie é um termo vazio de significado, assim temos liberdade de imprimir um.

alforria: Contem-nos um pouco da história do Crombie. Como surgiu?

Crombie: Somos de Niterói. A banda surgiu muito por acaso, todos nós frequentamos a Igreja Betânia desde pequenos, portanto já somos amigos faz tempo. Em 2006, mostrando um pro outro as músicas que estávamos fazendo, percebemos algo em comum. Resolvemos nos juntar em volta desse repertório e montar uma banda.

alforria: O som de vocês é feito com muito violões e outros instrumentos acústicos. O que vocês acham da popularização dos instrumentos digitais?

Crombie: Gostamos de música boa. Se ela tiver sido feita com o cuidado de soar bem e sobretudo fazer bem, o resto vira detalhe. Instrumento é o meio. Por causa de nossas composições, achamos melhor trabalhar com esses, mas gostamos de muitos outros.

alforria: Suas letras versam sobre temas do cotidiano, sem falar constantemente do nome de Deus. Esta é uma estratégia?

Crombie: Na verdade todo mundo compõe sobre o cotidiano. Estamos cantando sobre o nosso. Não é estratégia, é a linguagem comum.

alforria: As composições tem melodias muito bem elaboradas, que lembram muito a MPB. Quais são as influências nacionais da banda?

Crombie: A influência é a música nacional e o valor que ela tem. Gostamos de Gilberto Gil, Gerson Borges, Marisa Monte, Carlinhos Brown, Djavan, Marcelo Camelo, João Alexandre… muita gente.

alforria: Como vocês avaliam o mercado nacional de música cristã?

Crombie: O nicho da música cristã no mercado fonográfico brasileiro tem se fechado muito para outros segmentos, acaba criando uma linguagem própria e ficando incomunicável. Gostamos da comunicação.

alforria: Sofrem preconceito pelo estilo musical escolhido?

Crombie: ‘porenquanto’ não, nenhum tipo de preconceito.

alforria: Na hora de compor, o que vem primeiro: letra, melodia ou harmonia?

Crombie: Cada hora a música vem de um jeito. Algumas vezes escrevemos antes, em outras fazemos tudo de uma vez só. Fazemos música juntos ou sozinhos. O processo é bem diverso.

por Rafael Porto – alforria

Abaixo você confere um vídeo da banda cantando “Eternidade”. No Teatro da UFF.

+ www.myspace.com/crombies

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