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Resenha “Cidade do Amor”

Posted on: 20/04/2009

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Antes de mais nada, é preciso ficar claro: Cidade do Amor é símbolo de um explícita linha divisora na carreira de Lucas Souza. E aqui me refiro, obviamente, a um excelente sentido. Seu novo CD é nada menos que seu melhor trabalho.

Partindo para um processo agora 100% autoral em parceria com o irmão e produtor Lúcio Souza, o cantor firma seu álbum no caminho daquilo que é pouco óbvio. Passamos por escolhas sonoras, de letras e conceitos que agora representam um todo coeso, ao contrário daquilo que nem sempre encontrávamos em seus CDs anteriores (mas a gênesi de tudo isto certamente estava lá). Em Capturado ou Caminho Para Revolução havia sim ótimas canções como as inesquecíveis “Estrela da Manhã” ou “Vou Ficar Aqui”. Entretanto, nos seus dois primeiros trabalhos, também tínhamos baixas que se evidenciavam em canções que simplesmente esquecíamos com o tempo ou não atraíam mais a audição. Lembramos ainda que, tal qual esse novo disco, eram produções independentes, feitas na base da coragem, levando também a nem sempre encontramos os melhores timbres. Havia a bela voz do próprio Lucas, a criatividade e destreza dos músicos, mas sempre faltou algo mais. Eis que nos encontramos com Cidade do Amor.

Este é, sem sombra de dúvida, o trabalho para o qual a dupla Lucas e Lúcio Souza parece ter se dedicado mais na busca pelo que há de melhor na função de um músico. Se o russo Tarkovisky diria que o cinema é a arte de esculpir o tempo, pensemos a música como a arte de desenhar as melhores ondas sonoras harmônicas, cadenciadas e melódicas. É possível encontrar em Cidade este desenho da primeira a última faixa – incluindo a secreta que vem logo após a número 12.

Para os leitores d’outros contextos, precisa ser explicado. Falamos de um cantor dedicado a falar de temáticas espirituais, claramente cristãs. Mas se isso deveria assustar em tempos de Regis Danese tocando em todas as rádios, incluindo as “não-cristãs”, calma: você está diante do trabalho de alguém que está exatamente distante de qualquer realidade de música dita cristã que você possa encontrar no Brasil. No mesmo caminho de qualidade que Lucas, hoje há apenas o Palavrantiga – parceiros de longa data e que receberam o mesmo belo tratamento musical do produtor Lúcio Souza em seu EP. Ao contrário do que representou o Doxologia na carreira de Lucas, não há mais ligações explícitas com a música de tempos remotos – seja ela de séculos passados ou de poucas décadas atrás. Cidade do Amor é um disco sobre o futuro. Seja ele o futuro que o próprio Lucas acredita (deste sentir e viver o céu e a eternidade, presente em todas as faixas) ou mesmo em caminhos vanguardistas neste contexto quase vazio que nos encontramos atualmente. Junto ao Palavrantiga, Lucas hoje representa aquilo que a música feita por artistas cristãos deve ser: viva e não permeada por proselitismo barato; cheia de um desejo menos pretensioso e mais simples no realizar boa música.

Em Cidade do Amor, temos desde guitarras a la The Edge ou John Mayer, até pianos que passam por Keane e Norah Jones. Em Cidade do Amor há britpop, indie rock, blues e soul sem parecer que todo esse ecletismo formará uma salada de momentos amargos. Na verdade, como já foi dito aqui, encontramos uma coesão entre as músicas que surpreende. É saboroso poder encontrar em cada faixa algum tipo de surpresa a mais, evidenciando aquilo que, de maneira mais genérica, parece ser a principal influência num álbum como esse. Refiro-me ao interesse experimental, passando pelo eletrônico, que vem de David Crowder Band.  Isso pode ser encontrado de forma mais evidente em “O Mundo Viu a Sua Luz” ou “O Lar”.

O que fica, portanto, é um álbum inteiro cheio de canções que têm muito a dizer sobre fé e espiritualidade e que ficarão na memória por um bom tempo. O trabalho de Lúcio Souza (o qual é responsável por boa parte das canções do disco) como compositor e produtor tem me surpreendido e com sua viagem agora para a Europa certamente isso crescerá ainda mais. Lucas Souza, depois de tanta expectativa criada ao redor do seu terceiro trabalho, conseguiu não apenas alcançar o esperado, como nos surpreender.

por Ricardo Oliveira | Diversitá

 

Lucas Souza Banda

www.lucassouza.com.br

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