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Quem quer ser um milionário?

Posted on: 29/03/2009

milionario

Diz a lenda que Bollywood finalmente chegou à América com o filme “Slumdog Millionaire” ou “Quem quer ser um Milionário”, em português.

Vencedor de oito estatuetas do Oscar, dentre as quais o de melhor filme, “Slumdog” é um bom filme, com roteiro interessante e um ritmo que não te deixa dormir nas duas horas de projeção.

É a história de um favelado (slumdog), Jamal, que participa de um programa de TV e está a um passo de ganhar um prêmio de 20 milhões de rúpias ou aproximadamente R$ 922 mil. Acusado de trapaceiro, ele precisa explicar ao delegado torturador, como sabia as respostas para as perguntas feitas pelo apresentador. Respostas estas relacionadas à passagens importantes de sua saga junto com seu irmão Salim e a bela Latika.

Mais que uma história de amor ou relacionamento familiar, o filme mostra as mudanças que a globalização, em especial a chegada das empresas de tecnologia, trouxeram a países miseráveis como a Índia. É fato que o filme dirigido pelo inglês Danny Boyle remete à diversas obras brasileiras, como o fantástico “Cidade de Deus”, de Fernando Meirelles, ou aos documentários “Ilhas das Flores” de Jorge Furtado, ou o imprescindível “Estamira”, do diretor Marcos Prado.

A pobreza de Mombai é (in)digna das grandes favelas brasileiras – como a Rocinha, Heliópolis ou as palafitas dos Alagados da Bahia – mas o que mais chama atenção é que, além da pobreza, o sistema de castas e a luta religiosa torna ainda mais perverso o que parecia ser o fim do poço.

“Slumdog” também tem o seu lado irônico/crítico, como a cena em que Salim se faz de guia-mirim para um casal americano e apronta uma “presepada”, para que a Mercedes dos gringos seja depenada. Ao ser espancado pelo segurança, ele sai com a máxima: “se vocês queriam conhecer a verdadeira Mombai, está aqui”, citando a violência do segurança como um exemplo claro do cotidiano da população o que é prontamente retrucado pela americana: “agora você vai conhecer um pouco da América” e, com isso, ela pede para o seu marido dar algum dinheiro para a criança, como se o dinheiro pudesse comprar tudo, inclusive a dignidade perdida pelas porradas tomadas. Nada mais “american way of life”.

A cena em que Jamal consegue o autógrafo do famoso ator indiano é impagável…

A relação dele e seu irmão Salim e a sua busca pelo amor de Latika é o pano de fundo para a crítica social feita por Boyle, passando pela exploração infantil, prostituição, violência entre gangues e a chegada da máfia. Se alterássemos o idioma falado pelos atores para o português, ninguém poderia dizer que o filme não era um documentário brasileiro…

A mobilização que a TV traz, eliminando as diferenças entre castas, colocando todos num mesmo nível frente à televisão é algo que deve ser analisado…

Se você assistir ao filme olhando apenas a parte holywoodana vai achá-lo ok, mas se vc assisti-lo pelo viés das críticas sociais, então o filme é acima da média…

Vale a pena ir ao cinema e tirar as suas próprias conclusões.

Cristianismo Criativo

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