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A Arte da Exploração

Posted on: 07/02/2009

 

lampada

A história da igreja e dos cristãos de forma geral em relação à arte e a cultura é dividida entre os períodos em que todo o processo artístico e seu desenvolvimento são vistos com total respeito, os artistas tem apoio e encorajamento dentro dos círculos religiosos, e períodos de total desprezo sobre o assunto.

Em certos períodos o valor do artista e da produção artística em si não é visto de maneira platônica nem preconceituosa, o desenvolvimento é demonstrado de maneira muito ativa, incluindo o fator financeiro.

O que acontece em outros períodos da história, no entanto é um total desdém em relação à arte e a cultura agravado por um preconceito em relação ao artista que não é visto como um trabalhador, a idéia de arte como vagabundagem é – no nosso tempo – fruto dos discursos da era da ditadura militar, os artistas são nessa perspectiva, boêmios sem preocupações ou responsabilidades, um verdadeiro marginalizado.

É bem comum nesses períodos artistas serem tratados como se seu trabalho fosse o menos importante – isso quando é entendido como trabalho – até que por algum motivo ele seja útil em alguma área da igreja passando então de sem importância para uma importância emergencial, porem, ainda assim desdenhada .

Em minha experiência vejo a igreja e os cristãos – de forma geral e com pouquíssimas exceções – explorarem artistas com alguns argumentos que transcrevo abaixo:

– Um passatempo e uma maneira de ser usado quando necessário:

Para muitos cristãos não existe uma consciência de que desenvolver arte da trabalho, requer empenho, estudo e leva tempo, uma dedicação encontrada em qualquer profissão desde medicina a direito, para muitos cristãos o “talento” é visto como algo mágico que acontece sem todo esse esforço e que não teve/tem dedicação, visto assim dificilmente o trabalho será entendido de forma séria.

– É para o Reino irmão:

Já que não existe trabalho para desenvolver arte, quando a emergência aparece para cristãos e para a igreja o “espiritual” é o papo mais usado, “isso aqui é para o Reino irmão”, traduzindo: “faca de graça e rápido, não me importo com sua vida, se você tem tempo, se precisa pagar contas, se seu estilo de trabalho contempla a necessidade ou se você precisa de algum material pra ser usado, apenas faça, precisamos tapar esse buraco e você é a pessoa indicada para isso”. Mas espiritualidade separada da necessidade corpo-alma-espirito – a forma como Deus nos criou – não é espiritualidade genuína, é na grande maioria das vezes sensacionalismo, não contempla o ser humano como um todo e tende a exploração.

 

cruz

Apesar do desdém jamais buscam um artista ruim para executar o trabalho, sempre querem o melhor.

Tenho que fazer alguns comentários aqui, não sou contra o trabalho voluntario, ofertar seu trabalho e talento é prazeroso e válido! Faça isso! Porem não assumir que existam os aproveitadores de plantão e que as artes e a cultura são vistas de maneira preconceituosa e com desdém não vai nos ajudar a chegar a lugar algum.
Desculpar essa falta de sensibilidade usando versículos isolados não ajuda a criar uma cultura que dignifique o trabalho artístico.

Também estou ciente que existem artistas – se é que podemos chamá-los assim – que são exploradores, cobram cachês irreais para apresentações em igrejas e eventos e ainda argumentam – e sobrevivem provavelmente por causa desses argumentos – uma razão espiritual para essa pratica, na verdade esses argumentos são iguais aos citados no segundo ponto “é para o Reino irmão” só que invertidos.
Esse tipo de atitude ajuda a manter o artista como um ser a parte, melhor que os demais, e nenhum desses extremos ajuda, como disse C.S.Lewis – embora sobre outro assunto – “

…porque um erro gera o erro oposto …“ .

Entender que cada um tem uma parte no Corpo e portanto o artista não esta fora dessa tarefa é outro ponto importante para desenvolvermos um dialogo sério sobre o sentido e o valor da arte e da cultura nos círculos cristãos, o artista é tão importante – e não mais – como o pastor ou o missionário.

Esse texto não vai mudar as coisas, mas pode ser um bom começo para refletirmos e buscar um dialogo mais consistente sobre o assunto.

 

Texto extraído do Solomon1.

Escrito por Fábio Q.

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