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Cinema: Ensaio sobre a cegueira

Posted on: 27/01/2009

 

ensaio01

Alguns anos atrás li o livro do José Saramago, Ensaio Sobre a Cegueira e fiquei vidrado na estória. Achei-a fantástica, de uma criatividade sem fim e de uma profundidade cativante, além dos calafrios que provbranca e vivesse aqueles dias terríveis. ocou neste leitor o imaginar-me na situação de alguém que sofresse de cegueira 

Desde que ouvi pela primeira vez a notícia de que o Fernando Meirelles iria gravar uma versão para o cinema fiquei empolgadíssimo e um tanto duvidoso. Afinal, mesmo sendo admirador do Meirelles, conseguiria ele levar fielmente uma história tão cheia de nuances inovadores, a própria dimensão do que seria essa cegueira desconhecida e todo o campo surreal que envolve o texto para o cinema? Fiquei temeroso, até porque já havia lido algumas críticas negativas (será que quem criticou leu o livro?), mas mesmo assim fui ver com meus próprios olhos.

E o que vi foi que realmente o Fernando Meirelles merece nossos aplausos, pois com esse filme destaca-se naturalmente como um dos principais nomes do cinema mundial. A sensibilidade da fotografia e da cenografia é perturbadora. Senti como se estivesse lendo o livro novamente, uma sensação de Déjà Vu constante, porque a locação da quarentena não foi em nada diferente da que imaginei quando li o livro, o que me deixou perplexo, estupefato e satisfeitíssimo, posso dizer. Além do mais, pasmem, o filme foi todo gravado em São Paulo! Tendo no elenco nada mais nada menos que Julianne Moore, Mark Ruffalo, Alice Braga, Danny Glover e Gael Garcia Bernal.

 Para quem não sabe nada a respeito, farei um resumo do resumo. Tudo começa quando um homem perde a visão de repente. Ele sabe-se cego porque não enxerga nada além de um grande clarão branco. Um homem ajuda-o a chegar em casa, rouba seu carro, e vai embora. Porém, o ladrão também é apanhado pela cegueira branca, assim como todas as pessoas que tiveram contato com os cegos. É uma epidemia de cegueira que se alastra rapidamente. Em poucas horas a pessoa contagiada torna-se também cega. 

 O governo decide então colocar sobre quarentena todas as pessoas infectadas, num lugar como que abandonado, sem a mínima estrutura para receber tantas pessoas. Contudo, em meio a isso uma mulher, esposa de um médico que foi um dos primeiros a ficarem infectados pela cegueira branca, vê-se imune ao contagio. E tendo ido para a quarentena com seu marido, passando-se por cega apenas para cuidar dele, vê-se então num lugar insalubre, imundo, desumano, onde a comida é racionada e as pessoas vivem em estado de desespero. 

 Contudo, quando tudo parecia se acalmar, um grupo de cegos de uma das alas do isolamento decide tomar a comida à força, apenas por possuírem uma arma, e passam então a vender a comida aos cegos das outras alas. Após a primeira venda, percebendo que ninguém mais possuía dinheiro e que dinheiro ali na verdade não valia nada, decidem então trocar comida por sexo. As mulheres deveriam prestar serviços sexuais aos homens da ala dominante em troca de comida para os cegos das outras alas. E aí é que o caos se instaura de vez.

cenas-ensaio

 Julianne Moore faz o papel da mulher que não perdeu a visão. A única que não foi contaminada e tornou-se os olhos, as mãos, os pés, enfim, tornou-se a prancha de salvação para o grupo de cegos que ela decidiu ajudar. Todos os dramas desse personagem, sua frustração diante da angústia e sofrimento do marido e de todos os cegos à sua volta, é sem dúvida algo conturbador. Uma grande crise para quem se sente ao mesmo tempo responsável e incapaz, submersa pela solidão que sua visão lhe proporciona.

 Assistir ao filme é uma boa oportunidade para quem deseja um bom motivo para pensar e repensar as coisas. É um filme recomendado para quem se sabe portador de visão em terra de cegos – visão esta doada pelo Rei – e que põe o ditado de cabeça para baixo, fazendo de quem tem olho em terra de cego não um soberano, mas um servo.

 

E o que foi Jesus para conosco senão um servo para com os cegos? 

E o que seremos nós para com o próximo? 

Vale a questão, e vale o ingresso.

 

 

Naquele que tirou a escama dos nossos olhos,

 

Lucas Souza

Texto extraído do Blog/Site do Lucas Souza 

 

Veja o Trailer:


 

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3 Respostas to "Cinema: Ensaio sobre a cegueira"

Ainda não vi o filme, mas estou louco para ver, a história é muito bonita, e a fotografia do filme, direção, elenco…tudo isso me deixa mais ansioso!

caramba, parece ser um “filmasso”, o elenco é show, quero ver esse filme logo 😀

Estou anciosissíma para ver o filme.
Realmente a história e fascinante e põe em cheque alguns de nossos “privilégios”.

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